Ansiedade e sobrecarga — ou será desconexão com si mesmo?
- Mariana Bernardes
- 16 de abr.
- 2 min de leitura
Há momentos em que viver parece estar sempre um passo à frente de nós. Como se nunca conseguíssemos alcançar o próprio tempo.

O corpo dá sinais
Insônia, taquicardia, cansaço extremo, tensão muscular...
A mente grita
Preocupação e cobrança excessiva, falta de memória, desatenção, dificuldade em descansar.
E, mesmo assim, seguimos — tentando dar conta de tudo, mesmo sem saber exatamente o que esse “tudo” significa. Sentir-se ansioso e sobrecarregado se tornou quase uma marca do nosso tempo. Mas isso não quer dizer que devemos aceitar esse estado como de forma irrefletida.
Vivemos numa época marcada pela aceleração — tudo precisa ser feito agora, com eficiência e sorriso no rosto. As redes sociais nos atravessam com imagens de vidas bem-sucedidas, corpos descansados, afetos plenos. Porém, por trás disso, há um mal-estar difuso. Muitas pessoas se encontram perdidas, mas há pouco tempo para elaboração da própria vida e verdadeira apreciação dela. Essas características sócio-culturais são indispensáveis ao analisarmos de que “ansiedade” e “sobrecarga” estamos falando. Afinal, nós vivenciamos de forma subjetiva fenômenos complexos que estruturam nossa cultura e sociedade.
A necessidade e o desejo do outro acima dos meus
E há ainda a dificuldade em colocar limites. Dizer “não” parece impossível. Negar algo ao outro pode vir acompanhado de culpa, medo de rejeição, sensação de inadequação. Em muitos casos, o sujeito se coloca sempre em função do desejo do outro — esquecendo-se do seu próprio desejo. A sobrecarga emocional, nesses casos, não é apenas de demandas externas, mas de um modo de se relacionar que apaga o próprio espaço subjetivo.
Ouvir e cuidar de si
Outro fator relevante que atravessa esse tema é o fato de que muitos de nós não aprendemos, ao longo da vida, a ouvir e cuidar de si. A escuta das próprias necessidades foi, em algum momento, negligenciada — pela urgência dos outros, pela dureza das circunstâncias, pela falta de espaço simbólico para existir como sujeito. Não se sabe o que acalma, o que regula, o que liberta. O cuidado com a própria saúde mental virou mais uma tarefa a ser cumprida entre as várias outras dentro do check-list do autocuidado.
Na ausência de um lugar interno onde silenciar o mundo e produzir sentidos, resta o excesso: de pensamentos, de tarefas, de exigências. Na terapia, é possível construir um espaço onde esse mal-estar encontre palavras, onde se possa nomear, com calma e atenção, aquilo que sufoca.








